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São Miguel do Gostoso

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Artista leva arte para Gostoso
in Diário de Natal

     
 

"Quem chegar agora em São Miguel do Gostoso, município do litoral norte, distante 97 quilômetros de Natal, vai se deparar com uma cidade mais colorida e com toques artísticos ao alcance dos olhos. São árvores ornadas com cocos, na Avenida dos Arrecifes (rua principal da cidade), uma pracinha nesse mesmo local, exibindo um colorido mural construído com mosaicos e uma instalação gigantesca na Praia do Maceió, feita com ‘‘covos’’, espécie de armadilha para pescar lagosta em alto mar. Todas essas intervenções têm o dedo da renomada artista plástica paulistana, Nair Kremer, 69, descendente de judeus austríacos. Assim como também o dedo de dezenas de moradores. Tudo isso porque o trabalho foi mais que coletivo, num work shop que durou três dias - realizado no final de semana passado - com cerca de 200 pessoas e que contou com uma palestra cujo tema central foi a relação do homem com a natureza, além é claro, de muita mão na massa, na tinta, nos pincéis e outros materiais que foram usados para a realização dos trabalhos que envolveu pessoas de todas as idades.

A presença de Nair Kremer em São Miguel do Gostoso não se deu por acaso. Poderia-se dizer que houve um ‘‘casamento’’ de duas idéias. Uma, é o projeto Beleza Pura, idealizado pelo jornalista e empresário, Emanuel Neri, 58, que estreou com a vinda de Nair Kremer e pretende levar arte à cidade, sob uma perspectiva de interação e absorção dos moradores. E é aí onde se faz a intersecção com o trabalho da artista plástica, que também é arte-educadora, pós-graduada em Israel e que há alguns anos desenvolve um trabalho na periferia de São Paulo, cujo teor é justamente o mesmo: aproximar a arte das pessoas, levando em consideração que todos têm potencial criativo.

Quando Emanuel Néri, que mora em São Paulo há mais de 30 anos, a conheceu durante um evento da empresa de telefonia na qual ele é executivo, percebeu a afinidade, fez o convite e ela topou de imediato. ‘‘Não acho que a arte tem de estar apenas em museus ou galerias. Dá para se desencadear processos criativos nas pessoas. A vida cotidiana não muda muito, mas há um processo de ampliação, e por conseqüência de transformação do conceito de mundo’’, explica a artista plástica. E se for levado em conta a empolgação dos participantes que encheram a quadra coberta de uma Escola Zuza Torres, no centro de Miguel do Gostoso, a idéia deu certo. Atenta a todos os movimentos dos voluntários, mesmo durante a entrevista, Kremer não se negava a dar uma ou outra orientação. Do outro lado, todos pareciam bastante envolvidos com o trabalho coletivo e atentos aos ensinamentos da professora.

O pequeno Carlos Geomires, 7, assim que terminou de pintar um colar de cocos que depois seriam pendurados nas árvores, partiu para colar mosaicos na estrutura de madeira em formato de peixe. Todos os elementos escolhidos para compor os trabalhos têm referência com o lugar. ‘‘Quando minha avó perguntou o que eu ia fazer, expliquei que vinha fazer arte’’, disse, com um certo brilho no olho também encontrado em Fátima Dantas, funcionária pública e estudante de Turismo, que era uma espécie de coordenadora no grupo que fazia as colagens de mosaico. ‘‘É maravilhosa a presença dela aqui. Vejo como uma forma de descobrir novos talentos e de mostrar também que todo mundo tem potencial para fazer qualquer coisa. A gente se sente muito honrado e feliz’’, resumiu.


Sheyla Azevedo
Da equipe de O Poti
Jornal Diário de Natal

 


 

 


 

 

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